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Dor na coluna por causa do trabalho: quando a doença é ocupacional

Foto do escritor: Dra Roberta Alvares Piccolo
Dra Roberta Alvares Piccolo
há 2 dias
5 min de leitura


Entenda as doenças da coluna relacionadas ao trabalho, como identificar os sinais e quais

informações ajudam na avaliação de direitos trabalhistas e previdenciários.


Dor nas costas que não passa, dificuldade de levantar peso, sensação de perna "dormindo". Quem trabalha carregando peso, curvado ou repetindo os mesmos movimentos o dia inteiro conhece bem esses sinais. Com o tempo, eles podem indicar algo mais sério do que cansaço.


Nesse contexto, uma dúvida comum aparece: essa dor na coluna pode ter relação com o trabalho?


A resposta exige cuidado. Nem toda dor nas costas é doença ocupacional — mas, quando é, a forma como a situação é documentada faz diferença.


O que é doença da coluna relacionada ao trabalho?

São problemas na coluna que se desenvolvem ou pioram por causa das condições do trabalho: levantar e transportar peso, posturas curvadas, torções do tronco, ficar muito tempo na mesma posição ou movimentos repetitivos.

As mais frequentes são:

  • Lombalgia — dor na região lombar (parte baixa das costas), a queixa mais comum entre quem carrega peso.

  • Hérnia de disco — o disco que funciona como "amortecedor" entre as vértebras se desgasta ou se desloca e pressiona os nervos. Pode causar dor que desce pela perna.

  • Lombociatalgia — dor lombar que irradia pela perna, o conhecido "ciático".

  • Espondilose e artrose da coluna — desgaste das vértebras e articulações, acelerado pelo esforço repetitivo.

  • Cervicalgia — dor no pescoço, comum em quem carrega peso sobre os ombros ou mantém a cabeça em posição fixa.

O diagnóstico é sempre médico. O que a documentação do trabalho faz é ajudar a entender em que condições essas dores surgiram.

Como identificar os sinais?

Alguns indícios merecem atenção:

  • Dor que piora durante ou depois da jornada de trabalho.

  • Dor que melhora nos dias de folga e volta ao retornar à atividade.

  • Formigamento ou dormência que desce pela perna ou pelo braço.

  • Perda de força para levantar objetos ou segurar o corpo em certas posições.

  • Dor que começa leve e vai aumentando ao longo dos meses.

Nenhum desses sinais, sozinho, define a origem do problema. Mas, quando aparecem em quem executa esforço físico repetitivo, justificam uma avaliação médica — e, se confirmado o quadro, uma conversa sobre a relação com o trabalho.

Quando a doença é considerada ocupacional?

A legislação previdenciária considera doença do trabalho a que é produzida ou desencadeada pela função exercida (art. 20, II, da Lei nº 8.213/1991). Na prática, isso significa que a análise combina dois elementos:

  • O quadro clínico — o diagnóstico médico e a evolução dos sintomas.

  • As condições de trabalho — a descrição das funções, o peso transportado, as posturas exigidas, o ritmo e a existência (ou não) de pausas e equipamentos adequados.

Ferramentas como o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) e o laudo das condições do ambiente de trabalho ajudam a registrar essas condições. Quando necessário, a relação é avaliada também por perícia.

A empresa deve emitir a CAT?

Sim. A doença ocupacional é equiparada ao acidente de trabalho (art. 21, A, da Lei nº 8.213/1991). Diagnosticada uma doença da coluna com relação ao trabalho, o empregador deve comunicar a ocorrência pela CAT — mesmo que não haja afastamento.

O prazo é até o primeiro dia útil seguinte ao diagnóstico. Se a empresa não emitir, a própria legislação prevê alternativas: o registro pode ser feito pelo próprio trabalhador, seus dependentes, o sindicato competente, o médico que prestou atendimento ou uma autoridade pública.

O diagnóstico garante um benefício do INSS?

Não. Ter o diagnóstico não significa, por si só, receber benefício.

O benefício por incapacidade depende de requisitos próprios, como a comprovação da incapacidade para o trabalho. Quando a incapacidade decorre de doença ocupacional e o afastamento supera 15 dias, o benefício devido é o acidentário (B91) — que mantém o recolhimento do FGTS e conta tempo de contribuição.

A natureza comum ou acidentária do afastamento produz efeitos distintos sobre carência, FGTS e proteção ao emprego. Por isso, vale acompanhar tanto o registro da CAT quanto os pedidos, documentos e decisões relativos ao eventual benefício.

A doença da coluna garante estabilidade ou indenização?

Também não automaticamente.

Reconhecida a origem acidentária da doença, o trabalhador dispensado sem justa causa no período de 12 meses após o retorno pode ter direito à estabilidade provisória (art. 118 da Lei nº 8.213/1991), conforme o entendimento do TST sobre o tema.

Uma eventual indenização exige análise do dano, da relação com o trabalho e dos requisitos de responsabilidade do empregador — como a observância das normas de ergonomia (NR-17) e das medidas de prevenção. A CAT integra a documentação, mas não substitui essa avaliação.

Quais informações vale organizar?

Para compreender a situação e sustentar a avaliação, reúna, quando disponíveis:

  • Descrição das funções: peso transportado, frequência, posturas, ritmo e pausas.

  • Data em que as dores começaram e evolução do quadro.

  • Laudos, exames (raio-x, ressonância) e relatórios médicos.

  • Exames médicos ocupacionais (admissional, periódico, demissional).

  • Comunicações à empresa sobre dores ou limitações (e-mails, protocolos, conversas registradas).

  • Documentos de prevenção da empresa: laudo ergonômico, CIPA, programas de gerenciamento de riscos.

  • Cópia da CAT e comprovante de registro, se emitida.

Nas doenças da coluna, a linha do tempo é especialmente importante: relacionar a evolução das dores às atividades executadas ajuda a organizar o histórico.

Preserve os documentos originais. Evite suposições ou informações imprecisas: quando algo não estiver esclarecido, sinalize essa dúvida.

E se a empresa não emitir a CAT ou negar a relação com o trabalho?

Registre a solicitação de maneira objetiva e guarde o comprovante. Se a comunicação continuar pendente, avalie o registro por uma das pessoas legitimadas pela legislação.

A recusa ou a omissão da empresa não deve impedir o atendimento de saúde nem a organização dos documentos. A orientação jurídica pode ajudar a compreender a omissão, conferir as informações e avaliar outras providências necessárias.

Uma dor que merece atenção em mais de uma frente

As doenças da coluna relacionadas ao trabalho envolvem três frentes que caminham juntas: cuidar da saúde, documentar a relação com o trabalho e avaliar os direitos envolvidos. Cada uma merece atenção própria — e nenhuma substitui a outra.

Ficou com dúvidas sobre dores na coluna relacionadas ao trabalho?

Entenda melhor sua situação e saiba quais informações são importantes para uma avaliação jurídica adequada.

Acesse nossa página de orientação sobre acidentes e doenças relacionadas ao trabalho e responda algumas perguntas iniciais sobre o seu caso.




A partir dessas informações, nossa equipe poderá compreender melhor o contexto e indicar quais aspectos merecem uma análise jurídica mais detalhada.

Alvares Piccolo Advocacia — Experiência Jurídica. Inteligência aplicada.

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou jurídica individual.

Referências: Lei nº 8.213/1991 (arts. 20, II, 21, A, 118 e 131); Decreto nº 3.048/1999; Norma Regulamentar nº 17 (ergonomia); serviço Gov.br de registro da CAT; orientações do eSocial e do INSS; entendimento do TST sobre doença ocupacional e estabilidade acidentária.

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Categoria: Doença do Trabalho


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